Domingo, Fevereiro 27, 2005

A waltz for a night

Acabei o sábado vendo Before Sunrise e arrematei essa tarde chuvosa de domingo com Before Sunset. Assisti-los em seguida foi bom porque não tive tempo suficiente pra tornar o primeiro irretocável e assim consegui achar o segundo tão genial quanto.

Pra quem está se recusando a ver Before Sunset com medo da (má) fama das continuações, sugiro fazer o que eu fiz. Achei a seqüência tão natural que podia ser concatenada ao primeiro.

As I Walked Out One Evening

(...)

'The years shall run like rabbits,
   For in my arms I hold
The Flower of the Ages,
   And the first love of the world.'

But all the clocks in the city
   Began to whirr and chime:
'O let not Time deceive you,
   You cannot conquer Time.

'In the burrows of the Nightmare
   Where Justice naked is,
Time watches from the shadow
   And coughs when you would kiss.

'In headaches and in worry
   Vaguely life leaks away,
And Time will have his fancy
   To-morrow or to-day.

(...)

E depois da overdose de Linklater, de agregar W. H. Auden, uma valsinha e um aumento no affair por moças francesas, eu fico com umas idéias nada racionais e a certeza de não querer mais assistir romances. Nunca mais, nenhum outro.

ouvindo Sondre Lerche - Stupid Memory

Sábado, Fevereiro 26, 2005

minhanossa

Não era piada. Seu Jorge estragou Ziggy Stardust. E a gringa tanto gostou como chama o homem de trovador, ódeusdeus.

ouvindo Vulgue Tostoi - Vozes

Sexta-feira, Fevereiro 25, 2005

Não posso, tenho aula.

Apostila, data show, caneta, bloquinho, carteirinha, intervalo, prova, trabalho, monografia... quatro anos depois a gente volta a querer essas coisas.

- Happy hour? Hoje não dá, tenho aula.

ouvindo Bouncing Souls - Old School

Na hora do almoço

Vou acabar ganhando um prato de porcelana do Spoleto se essa minha fase semi-veggie não passar logo. Pensando melhor, gente vegetariana não existe. Sinto muito amigos vegans, mas não tem como varrer todos os organismos microscópicos unicelulares da comida de vocês. Eles são animais, não são? Radical é Nescau.

Sem fugir do assunto, as praças de alimentação são microcosmos interessantes, do ponto de vista antropológico (já existe esse pacote de expansão pra The Sims? Algo como Sims go shopping ou Sims lunch time?). Com minha bandeja de salada e molho italiano (que deveriam dar +3 em stamina no jogo), observo uma situação digna dos simulacros acontecendo na mesa adiante. Chega uma moça loira de cabelo curto, que ela fica arrumando o tempo todo. Ela usa um vestido branco e um sapato de bico pontudo, o que seria uma coisa bem "Wilma Guimarães" não fosse o detalhe da manga, deixando à mostra uma tatuagem lindona que ia do ombro ao cotovelo. Era uma figura parecida com um caos, em tons vermelhos e verdes. Eu admirei, mas fingi que não vi pra não parecer uma pessoa normal que se impressiona com essas tonterias. A moça fingia que era freak, mas era uma pessoa normal que cruzava as pernas e balançava o pé direito com uma calma nervosa.

Uma senhora desistiu de procurar uma mesa só pra ela e sentou comigo. Comentou sobre a tatoo da moça sem saber que eu sou um normal-freak vestido de executivo jr. Concordei com ela, "é de um mau gosto terrível". Piada interna. Tempos depois aparece um cara com umas costeletas enormes, camiseta branca do Stray Cats de manga dobrada e botina. Pelo menos vinha com uma salada tão bonita quanto a minha. Claramente impressionou-se com a garota e pediu licença pra sentar junto. Antes dos 30 segundos que eu contava mentalmente, o cara elogiou a tatuagem. Ela riu, agradeceu e encheu a boca de nuggets -- eu acho que esse tipo de mulher come no McDonald's pra não parecer muito punk. Fato é que ela puxou papo com o mano rockabilly e trocaram telefones. Apareceu um coração tracejado. Deus fechou o punho e fez o gesto "maquinista de trem" (yesss!). Eu perdi um instante imaginando como faria a logística do prato de porcelana e assobiei a música do Outfield, a única que é possível conhecer sem ter feito parte da banda.

ouvindo The Shins - Girl Inform Me

Sexta-feira, Fevereiro 18, 2005

severino cavalcanti

Em menos de meia hora, assisti três entrevistas com ele. Em todas o âncora não se conteve e teve que rir da falta de noção da criatura. Fala como se tivesse discursando e não diz nada com nada, é caricato. O pior é saber que ele tá num cargo chave por pura casualidade, tendo sido o único louco capaz de prometer medidas impopulares sem se preocupar com as conseqüências. Louco não, portador de uma grave deficiência moral.

ouvindo John Lennon - Gimme Some Truth

Sábado, Fevereiro 12, 2005

um pequeno sol alaranjado

Sabe aquela estrela, flor ou sol laranja que aparece no meu ícone do MSN? Eu preferia que fosse mesmo um sinal de que eu sou uma pessoa especial, o eleito, enfim, uma das sete crianças escolhidas para libertar o pássaro dourado e derrotar o Satã-Goss.

Aí eu vou procurar a porcaria de um FAQ só pra me desiludir. Droga.

ouvindo Frou Frou - Psychobabble

Quinta-feira, Fevereiro 10, 2005

Do supérfluo

Também as cousas participam
de nossa vida. Um livro. Uma rosa.
Um trecho musical que nos devolve
a horas inaugurais. O crepúsculo
acaso visto num país
que não sendo da terra
evoca apenas a lembrança
de outra lembrança mais longínqua.
O esboço tão-somente de um gesto
de ferina intenção. A graça
de um retalho de lua
a pervagar num reposteiro.
A mesa sobre a qual me debruço
cada dia mais temerosa
de meus próprios dizeres.
Tais cousas de íntimo domínio
talvez sejam supérfluas.

No entanto
que tenho a ver contigo
se não leste o livro que eu li
não viste a rosa que plantei
nem contemplaste o pôr-do-sol
à hora em que o amor se foi?
Que tens a ver comigo
se dentro de ti não prevalecem
as cousas – todavia supérfluas –
do meu intransferível patrimônio?


(Henriqueta Lisboa)

ouvindo Belle & Sebastian - Women's Realm

Quarta-feira, Fevereiro 09, 2005

singela

Quando há sossego, quando o despertador é amigo, quando há amizade e uma semi-perfeição, quando os butter-toffes não são de café e a pontualidade é fato, quando o preço do táxi é justo, as pessoas te aguardam e o rumo é certo, quando a fome é morta, quando a cerveja é de rodada e a carne de sol bem passada. Quando tudo parece estar sob controle, Maggie se vai com o mensageiro dos ventos. Da turba, só resta um bêbado carregando o estandarte de "La isla de los prazêres". O carnaval, dicotomia perfeita, vai procurar minha sorte nos achados e perdidos.

ouvindo Echo And The Bunnymen - The Killing Moon

Sábado, Fevereiro 05, 2005

Brasília em semana de carnaval:

quem sai por último apaga a luz.

ouvindo Doves - There Goes The Fear

Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005

Seu Madruga é rei

O último boicote do qual participei (e deu liga) foi no primeiro semestre de 94. Éramos 30 e poucos alunos secundaristas tristes pelo falecimento de Ayrton Senna. Queríamos muito assistir o velório pela TV, que ocorreria numa manhã de quinta, mas, como era de se esperar, a direção do Colégio Santa Rita nos negou essa última homenagem (e uma quinta-feira de folga, precisava falar isso não, né?). Sendo assim, não nos restou alternativa se não pôr em prática as idéias reacionárias do nosso professor de sociologia. Todo mundo concordou e na quinta-feira ninguém pisou na sala de aula. Ligamos uns pros outros pra confirmar: ninguém foi. Nem mesmo os CDFs entraram no colégio (claro, alguns da turma foram somente pra convencê-los disso).

Eu, que morava noutra cidade, nem levantei da cama. Menti que não ia ter aula, só um show de mágicos e etc. Por mais inverossímil que parecesse, o migué colou. Na sexta-feira, todas as outras turmas perguntavam o que a gente tava fazendo no colégio. Logo ao entrar na sala, a irmã Batatinha (colégio de freira, é) nos deu o veredicto. Todo mundo suspenso por dois dias e zero na prova de matemática que ocorreria nesse meio tempo. Depois ela soube, já tarde demais, que o professor de matemática era nosso peixe e deu um jeito de cobrir essa punição com listas de exercício.

Mas tou falando isso somente pra postar essa foto que me rendeu um sorriso de fim de tarde. Na mureta do Teatro Nacional, um reacionário convida:



Depois da ALCA, do FMI e do governo que aí está, chegou a hora de dizer não à propriedade privada.

ouvindo Detroit Cobras - Everybody's Going Wild