A gente amassa os elevadores, balançando o crachá, o fluxo de gentes passando por uma catraca e a situação política, a crise que é alvo fácil na hora do almoço. Acelga, agrião, picadinho com catupiry e a crise. Sentam numa mesa, dois ou três bunda-largas - depois eu explico o que é um bunda-larga. O moço de avental com a caneta e o bloco, duas cocas com gelo e limão. São doze dez minutos. Eu penso nas configurações, nas chaves, nos arquivos .ini do mundo. Customizar um planeta. Clica no continente, arrasta pra cá, põe um oceano aqui, sim, esse tom de azul. Faz tempo que eu esqueci o que é objetividade. Pra onde escoa tudo isso? É empirismo, não leia mais. Vá ver o jornal. O fim das etapas, das sobremesas, dos formulários, o fim dos anos, dos relacionamentos, acaba a tinta, a saúde, a vontade. Sacos voadores, nessa vastidão. Vagamos.
(!!!)
Um relógio alarma: 2 six-packs.

ouvindo Belchior - Na Hora do Almoço
ou ascenção e declínio das amoras smurf;
ou dança do ventre com lasers;
ou "o ovo";
ou teach yourself subliminar messages in 21 days;
ou exercício dominical de nonsense;
ou pj (painter jockey);
ou Ankara girls do the funky-wunky;
ou eu deveria mesmo estar estudando;

ouvindo Nação Zumbi - Computadores Fazem Arte...