Antes de tudo, eu gostaria de deixar aqui registrado o quanto é bom acordar tarde numa sexta-feira e ficar de pijama no sofá, assistindo Bob Esponja ou algum outro cartoon idiota, sabendo que os colegas de trabalho estão empoleirados nas cadeiras azuis, com os telefonemas e os e-mails.
Mas vamos ao relato do Timfa, se não esse negócio vai datar e eu, que já não tou com muito assunto pra post, vou ter que esperar o próximo festival.
21.10
Eis um dia curioso na minha vida. No bolso de trás eu tinha a coisa mais cobiçada daquela noite: ingresso pra Strokes. Os cambistas tavam pedindo duzeantox reaix, e eu era o único da turminha que tinha conseguido. E tinha tanta gente atrás desse ingresso que nem com toda pirangagem. Então eu fiz a coisa mais lúcida a ser feita. Vendi o meu pelo dobro do que paguei e fomos pro sambão, na Lapa. É samba sim, mas não faça essa cara de nojo. Não tinha poeirão, nem suarê. Ambiente familiar "dêsde 1857", com Kenny G tocando Chico e Noel. De forma que, em pouquíssimo tempo, eu esqueci que tinha saído de casa pra ver show de róque. Albert, Fabrízio, Julian, desculpaí, tive que esnobar. Queria até ter visto Kings Of Leon, mas me disseram que foi xoxo. A única perda da noite foi Drew Barrymore.
22.10
O Lado 2 Estéreo é vocal inaudível, guitarra suja²³ e uma bateria nervosa, com sintetizador em algumas canções. O resultado, no geral, não me agradou. Letras de "protesto", algumas muito tenras até, das quais eu destaco a ode juvenil "Pica porra no tabaco da cachorra / Bota sal bota pimenta no tabaco da jumenta / Multinational corporations / Genocide of the starving nations / Hey! Hey! Eles botam é pra foder!".
Foi a hora de conversar e tomar cerveja.
Arcade Fire entra com aquela formação pitoresca de 7 pessoas, quase todas de preto. Teve bumbo, violino, até cello em algumas músicas (e por isso têm meu respeito e admiração). Caê Veloso tava no show, eu não vi, mas soube que cravou a pérola "O Arcade Fire é a Família Lima do rock". Mas a verdade é que, por todo hype que se propagava, foi só um show bacana. Ganharia adjetivo melhor se não tivesse tocado na mesma noite do...
*Wilco!* Passei as duas primeiras músicas sem piscar, eu acho. Nos primeiros acordes de I Am Trying To Break Your Heart, o mundo já podia se acabar ali mesmo. Tocaram A Shot In The Arm e eu paralisei. Nem que emendassem parabéns pra você, eu ia lembrar da letra. Handshake Drugs, meu Deus. E aquele Nels Cline, hein? Não gosto de virtuoses porque sempre se excedem, mas Nels não. Nels for president. Não vou falar de Jeff Tweedy pra não queimar meu filme. Jesus etc ao vivo não é tão bonita quanto no cd, mas ainda assim foi emocionante ver e ouvir a música que me fez virar fã dos caras. Depois de I'm The Man e Spiders, o intervalo, e pra me matar, começou o bis (de 6 músicas!) com Via Chicago. No meio da execução, todos começaram a tocar como se uma manada de camelos tivesse invadido o palco, enquanto Jeff, sem se perturbar, continuava o refrão suave "I'm coming home, I'm coming home". Pra mim, o momento mágico do show.
Findo o bis, ninguém queria sair do lugar, e tanto foi que eles voltaram uma segunda vez. Fecharam o set com a cover de Dylan, mas eu já era qualquer coisa coloidal pra identificar. Talvez nem seja raro uma apresentação tão inspirada, porque dava pra ver que os caras fazem música com prazer, mas é que foi a primeira, né? Histórico. A idéia agora é acompanhar o Wilco por todos os lugares, só que antes disso teria que rolar uma improvável mega-sena. Reforço, então, o apelo do post passado ao leitor amigo.
23.10
Vanessa da Mata foi a sensação do festival. Vai muito além da minha compreensão. Fiquei sentado na arquibancada e Pedro Cardoso veio sentar do meu lado. Empolgado, bateu na minha canela duas vezes.
Kings of Convenience. Dois noruegueses branquelos com violões e piano. Incrível como eu gosto dessa banda. Fazendo "shhhh" pra platéia, pareciam cria de João Gilberto. Tão bonito quando tocou a música que eu ganhei de presente. Tão bonito na hora de I'd Rather Dance. Tão bonito o parabéns pro moço que tem o nome quase igual ao meu. O show foi curtíssimo, porque ainda ia ter o pop ruim do Morquiba. Não assistimos o Morquiba, e que pena que não fomos pra casa mais cedo. Teve showzinho extra dos moços do Kings na quarta-feira, na praia, em frente ao hotel deles, mas essa hora eu já estava em Bras-ilha, com os telefonemas e e-mails.
Sábado, Outubro 29, 2005
O dia em que eu esnobei The Strokes e outras histórias
Segunda-feira, Outubro 24, 2005
O abandono deste blog é interrompido para informar que as pessoas aqui precisam de doação para ir a Londres dia 22 de novembro.
Sabe o que é? Fiquei de pagar uma cerveja a Erick no show do Wilco mas acabei esquecendo sábado passado...
ouvindo Wilco - Say You Miss Me
ouvindo Wilco - Say You Miss MeSegunda-feira, Outubro 03, 2005
minúsculo
a sincronia era minha amiga.
um dia eu abaixei pra amarrar o cordão dos sapatos e ela não me esperou. nunca mais a alcancei.
e agora eu sou uma nanopessoa.
um dia eu abaixei pra amarrar o cordão dos sapatos e ela não me esperou. nunca mais a alcancei.
e agora eu sou uma nanopessoa.

